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Temperaturas altas podem favorecer novas espécies
Os turistas que desembarcam no aeroporto de Svalbard, na Noruega, o território habitado mais próximo do pólo norte, são abordados por Chris Wade, um jovem pesquisador australiano da Universidade da Tasmânia. "Posso limpar seus sapatos?", pergunta Wade. O que ele quer, na verdade, é recolher amostras de sementes presas na sola dos visitantes. Às vezes acha uma, quando tem sorte encontra 30 ou 40, diz a revista Der Spiegel.
O Ártico ocupa, todas as semanas, os noticiários. O motivo é sempre o mesmo: o degelo cada vez maior, principalmente no Canadá, com a abertura de novas passagens e o desprendimento de imensos blocos. As mudanças climáticas podem ter um efeito pouco conhecido: favorecer o florescimento de novas vegetações. A região abriga 165 espécies. Cerca de 20 delas foram introduzidas recentemente pelo homem. Isso é ruim? Às vezes sim. Algumas plantas, como uma espécie de rabanete selvagem, atrapalham o desenvolvimento da vegetação nativa.
Ware cultivará as sementes recolhidas numa estufa com condições semelhantes às atuais do Ártico. As novas plantas não são a única forma de renovação da vida na região. Pesquisadores estimam que 77 espécies animais, entre moluscos e pássaros, podem vir a ocupar a outrora imensidão de gelo.