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Baixo teor de princípio ativo não levava à loucura
Afinal, não estavam todos tão alucinados assim aqueles poetas e artistas que, na Paris do começo do século passado, gostavam de beber uns tragos de absinto. Até 1915, quando o governo francês proibiu a produção, Degas, Toulouse-Lautrec e Picasso tomavam livremente o destilado, apelidado de “fada verde” em virtude de sua cor. Acreditava-se que a presença de thujone, princípio ativo da losna, base do absinto, tornasse o destilado alucinógeno e até levasse os viciados à loucura. Químicos alemães e ingleses analisaram algumas garrafas preservadas desde então e descobriram que a quantidade de thujone na bebida era pequena – cerca de dez vezes menor do que o apregoado na época – e portanto incapaz de causar alucinação. É possível, segundo a NewScientist, que marcas mais baratas, que ninguém se importou em preservar durante todas essas décadas, contivessem metanol, álcool que causa cegueira. Nesse caso os bebedores talvez realmente vissem a tal fadinha verde. Uma versão leve do absinto foi liberado no Brasil em 2000, com teor alcoólico máximo de 54% – já chegou a quase 90% na perigosa fase áurea.