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Descaso e burocracia multiplicaram os mortos
Um ciclone tropical, com ventos de 190 quilômetros por hora, devastou no fi nal de semana boa parte de Mianmar, no sudeste asiático. A contagem ofi cial de mortos chegava a 22, 5 mil na terçafeira e a estimativa de desaparecidos ultrapassava os 40 mil. Assistentes sociais estrangeiros acreditam que pelo menos 50 mil pessoas tenham morrido e que milhões estejam desabrigadas.
A maioria das vítimas do ciclone Nargis foi surpreendida por uma parede de água de 3, 5 metros que desabou sobre as vilas da região mais baixa do delta do Irrawaddy. “Mais mortes foram causadas pelo vagalhão do que pela tormenta em si”, disse Maung Maung Swe, ministro da Assistência e Recolonização de Mianmar, ao New York Times. “Ela inundou metade das casas. As pessoas não tinham para onde fugir.”
O governo está sendo acusado de não repassar advertências sobre a gravidade do ciclone que se aproximava, afastando qualquer tipo de prevenção dos cidadãos. Meteorologistas da Índia afi rmam que, 48 horas antes de o Nargis atacar, teriam informado seu ponto de contato e sua severidade. Mianmar é governada por uma junta militar desde 1962. Ela mantém o país fechado e só agora aceitou ajuda de organizações assistenciais. A burocracia, contudo, é tão violenta quanto o ciclone.
O impacto do desastre pode ser pior ainda para o país do que o tsunami que atingiu a Ásia em 2004 e deixou 225 mil mortos, 61 deles em Mianmar (dados extraofi ciais elevam esse total para 600). O delta do Irrawaddy era a “tigela de arroz” do país. Os efeitos da água salgada sobre os campos serão sentidos por anos.
Ciclones tropicais como o Nargis formam-se em regiões mornas do oceano. Uma zona de baixa pressão e outra de alta fazem com que o ar se desloque junto com a tempestade. Há cinco graduações de ciclone. No mais ameno os ventos fi cam entre 120 e 150 km/h. No catastrófi co podem passar de 250 km/h. Mianmar não fi cou longe desse cenário.