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O aumento no preço da comida começa a pressionar a inflação e o governo já pensa em barrar a exportação de arroz
Os fatos
A Organização das Nações Unidas e o Banco Mundial anunciaram na terça-feira, 29, a criação de uma força-tarefa para combater a inflação global no preço de alimentos. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, fez um chamado urgente: a doação de US$ 2, 5 bilhões aos países pobres, especialmente na África, de modo a evitar o risco de conflitos. “Esse forte aumento nos preços dos alimentos se tornou uma crise mundial real”, disse Ki-moon.
Há risco de fome? Não. As safras são recordes – estima-se que este ano a produção será de 2, 16 bilhões de toneladas, a maior da história. O problema é o crescimento da demanda de países emergentes como China e Índia, com população de 2, 3 bilhões de pessoas.
Por que os preços aumentaram? Em decorrência de uma lei básica da economia, a da oferta e procura. Há bocas demais para alimentar. Resultado: os preços subiram 80% nos últimos três anos, estima o Banco Mundial. A inflação mais dramática foi a do trigo – entre março de 2007 e março de 2008 ele ficou 130% mais caro. No Brasil estima-se que a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) chegue a 4, 79% em 2008, pressionada pelos alimentos. É patamar acima da meta prevista, ainda que ligeiramente.
Como as pessoas reagem? Nos países pobres, saindo às ruas. Em março passado 10 mil cidadãos da Indonésia cercaram o palácio presidencial para protestar contra o aumento da soja. No Egito, 11 morreram no chamado “protesto do pão”, em decorrência do aumento no preço do trigo. Estima- se que a crise possa durar por outros dez anos. Alcançará 40 países e 100 milhões de pessoas. Pere Rusiñol, articulista do jornal El País, exagera para reforçar a situação. “A fome ameaça deflagrar a Terceira Guerra Mundial.”
Como o Brasil ataca a crise? O ministro da agricultura, Reinhold Stephanes, chegou a anunciar a suspensão da exportação de arroz dos estoques nacionais de modo a evitar a falta do produto. Houve recuo na medida – mas ela ainda não foi descartada definitivamente. O governo também decidiu estabelecer incentivos, inclusive de crédito, para que os agricultores não escolham o que plantar só a reboque do preço bom. A variedade é fundamental. O Banco Mundial estima que o Brasil possa crescer 0, 57% durante a crise por ser “celeiro do mundo”. Os consumidores, de alguma maneira, voltam aos tempos da inflação alta, pesquisando marcas e escolhendo as mais baratas, diz O Estado de S. Paulo. Percebe- se aumento de inadimplência porque os alimentos representam 32% dos gastos em famílias que recebem até R$ 400 por mês e 19% entre as que ganham de R$ 1, 6 mil a R$ 2 mil, informa O Globo.
O etanol é culpado pela escassez? Muito pouco. Nos Estados Unidos, em parte, onde a produção de etanol utiliza um terço da área plantada de milho. No Brasil, nada. Apenas 1% da área agriculturável é utilizada para produzir o combustível à base de canade- açúcar.
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As opiniões
O aspecto mais grave da crise de inflação de alimentos, pensa o ex-embaixador e presidente do Conselho da empresa Brasil Ecodiesel Jório Dauster, citado por Suely Caldas em O Estado de S. Paulo, é o esquema protecionista pelo qual os países ricos, há décadas, subsidiam seus produtores e elevam as tarifas de importação de comida. “Enquanto não houver racionalidade econômica para que os mais competentes (no caso, os países pobres, que produzem barato) possam competir livremente, não haverá alimentos suficientes para abastecer o planeta”, observa.
O professor de economia Tyler Cowen, da George Mason University, nos Estados Unidos, faz raciocínio contrário: a escassez de alimentos ocorre porque cada vez mais a produção e o comércio de commodities se dá em nações ineficientes e inflexíveis. “Muitos países pobres poderiam estar produzindo muito mais arroz do que produzem agora”, escreveu no New York Times. “Os principais culpados por isso não acontecer são a corrupção e os sistemas de irrigação mal planejados. ”
No caso do Brasil o que falta não é comida, é dinheiro para comprá-la, segundo o jornalista Rolf Kuntz, também de O Estado de S. Paulo. Ele lembra que o preço dos alimentos no país caiu e “as crises de abastecimento sumiram” quando a agropecuária brasileira se converteu de fato em agronegócio. Apesar disso, salienta, a política agrária nacional continua dirigida como se o setor não houvesse mudado, ou seja, atribuindo a fome dos pobres à falta de reforma agrária e à baixa aplicação da agricultura familiar. O Brasil é uma das nações com melhores condições para suprir a demanda por mais alimentos, mas corre o risco de “continuar desperdiçando recursos com uma política ambígua e comprometida com o atraso”, anota Kuntz. Em entrevista ao Valor Econômico, o ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero rebate. Em países como o Brasil, “talvez o agronegócio até tenha condições de gerar oferta, mas quem teria dinheiro para pagar?”, questiona.
A crise oferece motivos para pessimismo? “O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda poderá provocar uma corrida aos supermercados se continuar falando sobre o risco de escassez de arroz”, anota editorial de O Estado de S. Paulo. “O governo brasileiro deveria ser o último a lançar mão de medidas que distorcem o comércio de alimentos”, escreve a Folha de S. Paulo, ao comentar a idéia de barrar a exportação do cereal, por ora congelada.
A condenação dos biocombustíveis, do ponto de vista brasileiro, é falácia. “É uma campanha hipócrita, solerte e muito bem organizada” por parte das grandes indústrias petrolíferas, que manipulam ONGs ambientalistas “ingênuas e desinformadas”, diz Jório Dauster. O ex-diplomata brasileiro ressalta o papel pouco comentado de um velho “vilão” na atual crise: o petróleo, que, na casa dos US$ 120 o barril, vem encarecendo fertilizantes e o transporte de alimentos.
A crise global está afetando diretamente todos os países emergentes, principalnete aqueles que dependem economicamente da exportação de seus produtos. No Brasil a crise pode proporcionar uma redução dos alimentos nas prateleiras dos mercados, proporcionando um aumento no preço final dos produtos, assim se elevando mais a inflação e ocasionando uma maior quantidade de esfomiados nas classes baixas brasileiras. 12/03/2009
adriana sousa da soilvaeu presiço saber quem e o autor o genero e onde foi publicado e uma pesquisa que estou fasendo e presiso muito da resposta obrigada e estou agardando !!!!!!!!!!!!!! 23/06/2008