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Operação ficará gravada nos anais da história mundial, diz Betancourt
A operação que permitiu o resgate da política franco-colombiana Ingrid Betancourt e de outros 14 reféns das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) foi 100% colombiana, apesar de os Estados Unidos terem auxiliado em ajustes prévios, afirmou o ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos. Entrevistado sobre o papel de Washington na operação realizada nesta quarta-feira, Santos respondeu "nenhum" e completou: "Esta foi uma operação 100% colombiana". A operação realizada ontem resgatou a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, os americanos Thomas Howes, Marc Gonsalves e Keith Stansell --ligados ao Departamento de Defesa dos EUA-- e 11 militares e policiais colombianos. "Nós informamos ao embaixador [americano em Bogotá, William Brownfield] porque havia uma promessa do presidente Álvaro Uribe de comunicar ao presidente George W. Bush qualquer tipo de operação", disse o ministro ao canal Caracol. Militares da Colômbia disfarçados de trabalhadores humanitários resgataram Betancourt, 46, a refém mais importante das Farc, seqüestrada em 2002 quando fazia campanha eleitoral como candidata à Presidência. Sua dupla nacionalidade ajudou a trazer a atenção da comunidade internacional para o caso dos reféns colombianos. Estima-se que cerca de 3. 000 pessoas estejam sob o poder de grupos insurgentes no país. O resgate ocorreu na floresta do departamento de Guaviare, segundo o ministro da Defesa. Militares colombianos fingiram ser membros de uma organização fictícia que supostamente iria levar os reféns de helicóptero a outro local, para se encontrarem com o líder das Farc, Alfonso Cano. Centenas de colombianos saíram às ruas com bandeiras, enquanto motoristas promoveram um buzinaço. As primeiras reações no mundo todo foram de alegria e de pressão para que as Farc libertem todos os seus reféns ou voltem a dialogar com o governo colombiano. O presidente da França, Nicolas Sarkozy pediu às Farc que desista de "seu absurdo combate". O premiê espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, destacou o "lado humano" da libertação, após a situação "quase desesperada" na qual a ex-candidata se encontrava. Na Itália, o presidente do Senado, Renato Schifani, manifestou "grande satisfação" pelo resgate. O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, felicitou Uribe, "um líder forte. Na Argentina, a presidente Cristina Kirchner classificou como uma "vitória da vida e da liberdade" o resgate dos seqüestrados. O boliviano Evo Morales disse que a libertação da ex-candidata à Presidência é "importantíssima para a busca da paz e de acordos entre as Farc e o governo da Colômbia". Já o governo chileno destacou a libertação como um passo em direção a "um processo significativo contínuo", até à libertação "da paz permanente" na Colômbia, "um país irmão, tão próximo ao Chile". No Equador, o ministro da Defesa, Javier Ponce, se disse "emocionado" e "aliviado". O ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) afirmou nesta quarta-feira que a libertação o enfraquecimento das Farc (Forças Revolucionárias Armadas da Colômbia). "O governo brasileiro felicita o governo colombiano por uma operação que resultou aparentemente sem que tenha havido mortes", disse Amorim, de acordo com a Folha Online. A política franco-colombiana Ingrid Betancourt afirmou na noite de quarta-feira que "a história não registra mais do que os que assinam a paz, não os que fazem a guerra", ao qualificar de "operação de paz" o resgate militar dela e de outros 14 reféns das Farc. "Esta operação de paz vai ficar gravada nos anais da história, não apenas da nossa, mas do mundo inteiro", disse em um discurso exibido a partir do palácio presidencial depois de um pronunciamento do presidente Alvaro Uribe. Ela manifestou a esperança de que o resgate, dela e dos companheiros, represente a "abertura de um caminho de paz" e afirmou que "só acredita na paz". Betancourt considerou a operação militar uma "sinfonia perfeita" e agradeceu ao Exército. Ela disse ter perdoado os captores e pediu ao novo comandante das Farc, Guillermo León Sáenz (conhecido como Alfonso Cano) que "poupe a vida" dos guerrilheiros que estavam encarregados de sua custódia, informa o Último Segundo.