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Zimbábue

Ditador rejeita coalizão como a do Quênia

01/07/2008 11:37

Itália retira embaixador do país e pede que Europa faça o mesmo

O Zimbábue rechaçou na terça-feira os apelos para formar uma ampla coalizão de governo como no Quênia para resolver sua crise interna, afirmando que a única solução possível viria "da forma zimbabuana". No domingo, o presidente do país, Robert Mugabe, 84, tomou posse para um novo mandato de cinco anos depois de as autoridades eleitorais terem anunciado a vitória dele por uma ampla margem de votos no segundo turno do pleito presidencial, realizado na sexta-feira e do qual apenas o dirigente participou. O processo foi boicotado pela oposição. "O Quênia é o Quênia. O Zimbábue é o Zimbábue. Nós temos nossa própria história de diálogos sucessivos e resolução dos impasses políticos da forma zimbabuana. A forma zimbabuana não é a forma queniana. De jeito nenhum", disse a repórteres George Charamba, porta-voz de Mugabe, em uma cúpula da União Africana (UA) realizada no Egito. "A forma de resolver o problema é uma forma definida pelo povo do Zimbábue, livre de qualquer interferência externa. E é isso exatamente o que resolverá a questão", afirmou. A África do Sul encontra-se perto de obter um acordo por meio do qual Mugabe e Morgan Tsvangirai, líder oposicionista, negociariam um governo de unidade nacional, disse um jornal sul-africano. A reportagem apareceu no dia em que os líderes de países africanos discutiram a crise do Zimbábue na cúpula da UA, realizada em Sharm El-Sheikh em meio a apelos para que o continente condene Mugabe por realizar as eleições em meio a uma onda de violência. Charamba criticou os países ocidentais que conclamaram Mugabe a renunciar. "Eles podem ir para o diabo que os carreguem. Ele podem ir para o diabo que os carreguem um milhão de vezes. Eles não podem falar nada sobre a política zimbabuana, nada de nada", disse o porta-voz, acrescentando que Mugabe havia conquistado o mandato dos eleitores zimbabuanos, de acordo com o Globo Online. O primeiro-ministro queniano Raila Odinga havia pedido na segunda que a Uniâo Africana suspendesse o Zimbábue até que Mugabe permitisse eleições livres e justas. A Itália chamou de volta seu enviado ao país como protesto e pediu aos países europeus que tirem seus embaixadores de Harare. Os Estados Unidos devem apresentar na quarta na ONU um pedido de embargo de armamentos ao país e um congelamento de depósitos de indivíduos e companhias do Zimbábue, relata a BBC.  

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