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Zimbábue

População vota em candidato único

27/06/2008 10:45

G8 critica eleição e EUA ameaçam com sanções

Os zimbabuanos votavam em pequeno número no segundo turno das eleições presidenciais, realizado na sexta-feira e do qual participa apenas o atual dirigente do país, Robert Mugabe. O líder do Zimbábue ignora as pressões internacionais e os apelos feitos em nome do adiamento de uma votação descrita pelos opositores como uma fraude. Mugabe, no poder há 28 anos, é o único candidato depois de Morgan Tsvangirai, líder da oposição, ter se retirado da disputa seis dias atrás por causa de atos de violência e de intimidação ocorridos com o apoio de forças governamentais. Tsvangirai e seu partido, o Movimento para a Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês), conclamaram os zimbabuanos a não votarem, mas disseram que os eleitores deveriam comparecer às urnas caso suas vidas corressem perigo. "Independente do que venha a acontecer, não será reconhecido pelo mundo. Independente do que vocês sejam forçados a fazer, sabemos o que está em seus corações. Não arrisquem suas vidas. A vitória do povo pode ser adiada, mas não será negada", afirmou, em um comunicado. O G8 --formado por EUA, França, Alemanha, Canadá, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia-- criticou o Zimbábue por seguir em frente com a eleição e os Estados Unidos disseram que buscarão impôr sanções ao país africano no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. As urnas abriram pouco depois das 2h (horário de Brasília) e o comparecimento era fraco em vários locais de votação da capital do país, Harare, ao contrário do que ocorreu no pleito presidencial e parlamentar de março, quando havia filas desde as primeiras horas do dia. As urnas devem fechar às 14h (em Brasília), informa a Reuters. Cerca de 90 pessoas foram mortas em ações violentas durante a campanha eleitoral e centenas de opositores de Mugabe foram detidos pela polícia, entre eles o candidato à presidência. Para o chanceler italiano, Franco Frattini, não se pode conferir legitimidade ao governo do Zimbábue, deixando os embaixadores europeus no país. A posição do G-8 foi declarada pelo chanceler japonês, Masaiko Komura, que falou de "violência sistemática, obstrução e intimidação" durante o processo eleitoral. Já a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, disse que as eleições de hoje no Zimbábue "não podem ser chamadas de eleições, são pseudo-eleições, que não podem ser aceitas". Rice disse ainda que o governo dos Estados Unidos se propõe a realizar consultas no Conselho de Segurança da ONU, para estudar medidas de "pressão" que podem ser adotadas em relação ao governo de Mugabe, diz a Ansa.  

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