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Quebradeira

A casa está caindo

15/09/2008 11:41

Financial Times fala em conseqüências imprevisíveis

O sistema financeiro mundial deve sofrer um abalo profundo com a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers Holdings que pediu proteção sob o "Chapter 11", o capítulo da legislação americana que regulamenta as falências e concordatas, além da venda do Merrill Lynch ao Bank of America e o pedido da seguradora AIG ao Federal Reserve (Fed, o BC americano) de um empréstimo de US$ 40 bilhões. O reflexo da quebra do Lehman e das más notícias das outras duas instituições já afetam o mercado europeu de forma pesada: a Bolsa de Paris caía 4, 96% às 10h30 (em Brasília), a de Londres perdia 4, 8% no mesmo horário e a de Frankfurt caía 4, 01%. Na Ásia, a Bolsa de Mumbai (Índia) caiu mais de 5%. Os principais mercados --Tóquio, Xangai, Seul e Hong Kong-- estiveram fechados, mas amanhã, quando reabrirem, deverão sentir o impacto da crise em Wall Street. O termômetro da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), o Ibovespa, despenca 5, 40%, aos 49. 562 pontos, já nos primeiros negócios. O dólar comercial é negociado a R$ 1, 820 na venda, em forte alta de 2, 18%. Em Nova York, as expectativas são de uma queda de 3% ao abrir, segundo analistas. O governo americano não repetiu a ação de ajudar as empresas financeiras a evitar a quebra, como fez com as gigantes hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac, que devem receber uma injeção de até US$ 200 bilhões. Sem ajuda do governo, compradores em potencial do Lehman, como o Barclays e o Bank of America, se afastaram do negócio. Na manhã de hoje, o Lehman entrou com o pedido de proteção sob a legislação de falências e concordatas no Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova York. O banco informou que nenhuma das corretoras subsidiárias e outras empresas ligadas ao grupo está no pedido e continuarão a operar. Segundo o banco, os clientes do banco e das subsidiárias podem continuar a operar ou efetuar outras ações em suas contas. A diretoria do Lehman autorizou o pedido à corte de falências a fim de proteger seus ativos e maximizar valor, segundo comunicado, que diz ainda que o banco deve tomar outras medidas para continuar a gerenciar suas operações --como pedidos de pagamentos de salários e outros benefícios a seus empregados, informa a Folha Online. “Wall Street nunca viu nada assim”, diz Jenny Anderson, do New York Times, citada pelo Jornal de Negócios, de Lisboa. “Medo e ganância são o material de que Wall Street é feita. Mas dentro das grandes casas bancárias, esses grandes templos do capitalismo, o medo esteve na frente neste fim-de-semana”, escreve Anderson. “Foi, em todos os sentido, um dia diferente de tudo o que Wall Street alguma vez viu”, prossegue Jenny No fim-de-semana, “os jantares festivos foram cancelados, as ‘escapadelas’ de fim-de-semana foram adiadas, toda Wall Street ficou em alerta máximo. Nos arranha-céus de Manhattan, os banqueiros ficaram nos seus quartéis-generais, dentro de casulos de tapetes macios e paredes revestidas de painéis de madeira, tentando desesperadamente avaliar a exposição das suas firmas à queda da Lehman”. “A mão de todas as segundas-feiras”, titula o Wall Street Journal, que diz que poucas vezes saíram os investidores de todo o mundo das suas camas para enfrentar uma manhã de segunda-feira como esta. “Será este o Dia do Julgamento para Wall Street?”, questiona Heidi N. Moore, do mesmo jornal. Isso seria uma sorte para a indústria financeira, acrescenta. “Na verdade, Wall Street ainda enfrenta um mundo de dor e será necessário mais do que um dia para que volte a ficar tudo bem, O que aconteceu à Lehman e à Merrill vai ecoar por meses, se não por anos, através da indústria da banca de investimento. Entretanto, as demais firmas de Wall Street terão de reagir depressa para assegurar que têm o capital adequado e, também importante, a confiança no mercado”. "A certeza de que o Governo norte-americano já não estava preparado para suportar instituições com problemas aumentaria a pressão em bancos como o Washington Mutual e seguradoras como a AIG, que já estão na mira dos mercados", escreve o Financial Times, ainda citado pelo Jornal de Negócios. "Talvez ainda mais preocupante é contemplar as inevitáveis surpresas a partir das conseqüências imprevisíveis da queda da Lehman".  

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